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Naja Fenix
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enfeiteSonho de Amorenfeite

 

Ela caminhava vagarosamente pela beira da praia, ainda cedo, com suave sol e sentia a gostosa água em seus pés. Por dentro, para si mesma canarolava uma velha canção de amor"chanson d´amour" de seu tempo de mocinha.
No rosto a suavidade da paz interior. Mas bem no íntimo, sentia-se incompleta.
Na direção oposta, também caminhando sob as marolas da água deliciosa do mar, vinha ele, um pouco mais rápido que ela, como quem estivesse fazendo exercício.
Cruzaram um pelo outro. Os olhos se encontraram.
Num relance rápido, mas intenso.
Ela olhou para trás e viu que ele havia diminuído seus passos e tambémolhava para ela.
Sentiu um isto de vergonha por te r sido "pega" e ao mesmo tempo, teve vontade de ousar e sorriu, porém continuou em seu passo lento, na mesma direção que estava caminhando. Seu coração batia mias forte, e ficou sentido-se envaidecida por ter sido admirada.
Ele, sem saber bem o que deveria fazer, ficou mais lento, parou e decidiu fazer a tentativa de falar com ela... arrisco voltar e alcançá-la.
Quando perto, o coraçãodos dois batiam descompassados, nervosos, inseguros e tensos. Ela, já não esperava mais nenhum romance, embora o desejasse, ainda com intensidade. Ele, temendo ser rejeitado, pois já não acreditava mais que pudesse ser admirado.
Ela era baixinha, miúda, longos cabelos, nem tão magra quanto desejava; ele moreno, alto, magro, cabelos negros , muito lisos, com ligeiros fios brancos , nas têmporas e caindo sobre a testa com o vento.
Os olhos novamente se cruzaram e desta vez, o coração de ambos disparou. Por uns poucos momentos caminharam lado a lado, no mesmo compasso...Ele sem bem saber o que dizer, apresentou-se e perguntou o nome dela. Convidou-a para tomar uma água de coco e assim começaram a trocar idéias, conversaram e não viram o tempo passar.
Marcaram de se encontrar á noite.
Ela preparou-se durante o dia, tanto física como emocionalmente para um encontro que nem tinha certeza se aconteceria realmente. Ele passou a tarde contando as horas, esperando o momento do provável encontro. Esmerou-se no barbear, escolheu várias camisas e nada satisfazia.
Ela foi ao salão, fez o cabelo mas ao chegar em casa, escovou tudo para ficar bem simples como sempre fôra; ela não gostava de chamar a atenção. Deicou os cabelos soltos, e sentiu-se mais verdadeira. Usou um vestido vaporoso, azul claro, pondo-se bem à vontade, como se nada estivesse acontecendo. Mas sabia que aquele vestido lhe caía muito bem, e ficava muito elegante, com simplicidade.
Dentro dela, no entanto, parecia viver um sonho antigo, já vivido, mas sem esperanças de voltar a sentir a mesma sensação.
Encontraram-se. Sorriram e deeram-se as mãos, que ela as retirou, meio sem jeito, como se fosse uma menina, mas ele estava decidido, não a deixaria fugir, não entendeu direito, mas sentiu que era ela, aquela que tanto desejou encontrar na vida. Pegou novamente suas mãos e com delicadeza, porém firme, não a deixou soltar. Ela se permitiu assim ficar, com o peito acelerado, pensou que alí estava o início de um sonho de amor.
Ele, um pouco atrevido, apertou suas mãos e abraçou-a, sabendo que teria que ser delicado e cauteloso, ou perderia, o que para ele, era também, um sonho que não pensava mais realizar.
Para ambos, aquela era uma ocasião muito especial, pois estariam realizando um sonho que já não acreditavam mais ter o direito, a realização de um grande sonho de amor.


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Naja Fenix
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